sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Eu Narciso vejo um Talibã


Ao me olhar no espelho, meu inquisidor, me pergunto:
Nesse tempo todo, com quem você esteve?
Comigo ou com a projeção que tinhas de mim?
Eu imperfeito, cheio de defeitos, humano... Que te trás à realidade.
Ou eu perfeito, só virtude, Celestial... Que te leva a uma ilusão.
Faço isso pensando no paraíso... Não com as virgens a me esperar,
Mas por ter você ao teu lado.
Você me faz perguntas, esperando uma resposta,
Mas não percebe que já respondi tudo isso antes.
Eu sou lonjuras, não sei viver perto do que não quero...
Mas adoro estar próximo do que não entendo.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Finito

Eu sempre me orgulhei em ser mais do que sou agora...
Mas agora sou menos do que o meu desprezo.
Tudo isso fui eu que escolhi.
E eu me tornei uma sombra,
Criada pela luz que pensei vir de ti...
No meu silêncio há brados de solidão,
Que são acompanhados do nada.
Eu acreditei naquilo que não era verdade...
E quanto à verdade, dela fiz uma mentira.
Os dias são contados,
Algo semelhante, a saber, o dia que se vai morrer.
Mas o conto não é de fadas ou então uma fábula...
São apenas mortes lentas e sucessivas.
Sempre me orgulhei em ser mais do que sou agora...



Dito pelo não dito...

Me perco nos dias. 
O hoje se confunde com o ontem... 
Então os dias são todos iguais? 
Não é isso que eu quiz dizer.... 
Apenas são sem ti.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Terminal 03


Tristeza e Alegria...
Partida e Chegada...
Desencontro e Encontro...
Lágrima e Sorriso.
Táxi e Ônibus...
Cobrador e Motorista...
Passageiro e Viajante...
Abano e Abraço.
Tristeza é Partida...
Alegria é Chegada...
Desencontro é Lágrima...
Encontro é Sorriso.
Táxi é Motorista...
Ônibus é Cobrador...
Passageiro é Abano...
Viajante é Abraço.
As palavras se combinam, se trocam e se confundem...
A Tristeza da Partida se transforma em Alegria...
As pessoas trocam de lugar, de função e de papel...
Parece uma canção, sim uma canção... Aquela da filha da Pequena Notável, da Pimentinha...
E entre soluços e sorrisos, silêncios e gritos, aqui estou eu:
Vendo o que muitos apenas olham. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Errante


O muito que tenho
Torna-se nada...
O nada que tenho
Torna-se muito...
O tempo já não passa,
Não há passatempo...
Apenas a busca,
Uma busca insana
Pelo vil metal...
Assim como a areia
Esvai-se na ampulheta,
Assim sinto o tempo...
Assim sinto você...
Queria estar errado.
Mais do que nunca...
Queria estar errado.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Caricato


Amo-te tanto que me acorrentei a tua incerteza...
Cheguei ao ponto de me tornar uma caricatura de gente...
Sim, um arremedo...
Cheio de medo.
Um esboço muito mal feito. 
Como tal inacabado.
Tanto disse, falei, bradei, chorei, solucei... 
Não houve jeito.
Tanto fiz, desconstruí, construí, criei, inventei... 
Não houve jeito.
Fui sem jeito mesmo... 
Caí. Levantei. 
Caí... De novo, de nova...
Quando ralava meu joelho, acreditava que era o fim do mundo... 
Realmente eu não sabia o que era o mundo.
Assim ficamos uma caricatura, um esboço. 
Sem arte final... 
Na verdade sem arte... 
Só final.

Entre teus braços


Teu medo não é mais do que uma lembrança escrita e descrita...
Nossas vozes se encontram, muitas vezes, graças a Grambell...
As distâncias nos torturam...
As lonjuras nos consternam...
As saudades nos mutilam.
Mas tudo isso se desfaz, perde força quando nos reencontramos...
No encontro há o laço...
No reencontro há o relaço...
O relaço vira abraço...
Esse abraço não cabe no braço...
Não há espaço.
Nada o separa, nem o fio da lâmina de aço...
E pra terminar a rima, me dê outro abraço.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Glossário



Minhas palavras são como espadas.
Ora afiadas, que a tudo transpassam,
ora cegas, sem a capacidade de ferir ou cortar.
Elas são minhas defesas e meus ataques.
Meus pontos fortes e fracos.
Não confunda minhas palavras escritas com as ditas...
As escritas podem pertencer a muitas pessoas,
já as ditas só a quem eu as disser...
Eu não disse o que você escutou e você não escutou o que eu disse.
E quando digo isso, é escrito e falado...
Lido e sentido...
Lembrado e esquecido.
E no meu mundo chamado silêncio,
eu posso chorar sem medo de ter medo.
Preso a essa liberdade de ser o que nunca serei novamente,
o que você quis que eu fosse um dia:
Um outro qualquer ou qualquer outro.




quarta-feira, 30 de julho de 2014

Homônimo



Tua falta fez com que teu nome se tornasse,

para mim, homônimo de solidão.

Volto a ter a certeza de que certo,

Só a incerteza do que foi feito errado.

Já estou cheio de me sentir vazio.

E esse vazio completa a tua falta.

Falta de que mesmo?

Daquilo que nunca tive...

Daquilo que nunca foi meu...

Daquela que em meus braços, nunca foi minha.

Daquilo que já esqueci?

Ou daquilo que esqueci de esquecer.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Loucura

Palavras soltas, sem nexo. Sem rima, sem contexto.
Sem jeito, sem pudor. Sem vontade, sem intensidade.
Sem saber, sem querer. Sem sabor, sem tempero.
Sem nada.
Os outros, ela, elas,alguém, ninguém, todas e nenhuma.
Anos em meses, meses em dias, dias em horas,
horas em minutos, minutos em segundos,
segundos em infinitos momentos.
E quando termino de pronunciar essa frase, o momento já passou...
Sim o momento já passou de novo. Não leia mais essa frase, pois o momento vai passar outra vez.

sábado, 21 de junho de 2014

CUIDADO: PALAVRAS!

Hoje elas doem, ferem e machucam.
Até sangrei por conta delas.
Amanhã quem sabe elas curam.
Mas hoje, marcaram até minhas pernas.
Vão cicatrizando bem devagar,
As palavras que me disseram.
Hoje vai doer até sessar,
Todas as feridas que me fizeram.

Querem me doutrinar com palavras,
Querem me destruir com morais,
Querem que eu faça suas ordens,
Querem me dominar, destruir e monopolizar.

Oi?! Eu disse.
Não está certo isso! Disseram-me.
Porque não? Eu disse.
Porque ninguém gostou! Disseram-me.

E foi assim que escrevi,
E foi assim que não entenderam.
Mas eu não vi, eu li.
E foi assim que me abominaram. 

AlmandoStorck Junior, Macapá-AP, 16 de Março de 2013 ás 15:27.



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Epitáfio



Por algumas vezes tenho a impressão
que, tão somente, sobrevivemos.
Num frenético e compulsivo
contar de segundos, minutos, horas, dias,
semanas, meses, anos...
À espera, muitas vezes,
de algo que não fazemos a menor idéia do que seja.
Por você tenho tentado,
cada vez mais, o meu melhor...
Mas tenho a impressão que não há nada além do nada.
Dói lutar por algo que já não sei mais o que é...
Em meio a tudo isso, sou um barco à vela vagante no oceano...
Saí da proteção de um farol e sinto que encontrei o que buscava:
O nada... Um imenso nada.
Eu não preciso ouvir a Adriana Partimpim pra lembrar-me de ti...
Tão pouco o Emicida cantando Sol de Giz de Cera...
Basta eu acordar, basta respirar.
Palavras explodem em minha mente.
Talvez fuga dessa realidade...
Talvez libertação dessa realidade...


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Me deixa ir



aqui não se fala, se cala
aqui não se vive, se trabalha,
aqui não se cria, se produz
aqui dentro não está batendo luz
aqui não se vive, se sobrevive
aqui não se cria, se copia
aqui não se fala, se reproduz
aqui dentro não está batendo luz
aqui não se ganha, se adquire
aqui não se chora, se lamenta
aqui não se raciocina, se decora
- cale-se, senão te boto pra fora!
Quero falar para sair,
se aqui já não posso rir,
expulsa e me deixa ir,
a francesa na hora de partir.



Fernando Cabelo

Poeta ácido, sarcástico, sem métrica e sem regra, faz parte dessa era. Sem cálices, diz o que pensa, sem notar a ofensa. Aceita críticas muito bem, se possível, as responde também. Observador, muitas vezes ilustra a dor, as vezes sem querer, outras, só cria por fazer. Escreve o que quer, leia quem quiser.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

T4


As janelas que vejo são como luminárias,
aquelas que alguém teima em esquecer ligadas:
Iluminam quando não se quer mais claridade,
mas, com sua origem funcional, mostram o mundo lá fora...
Realidade que não se quer ver:
Garotos fazendo malabarismo, vendendo balas e corpos;
Meninas e meninos que se fazem mulheres,
ganhando alguns trocados e perdendo a dignidade;
As palavras fogem, os sentimentos explodem.
Na terra em que poucos se olham quase ninguém se vê.
Nessa terra de tantas diferenças, o normal é ser estranho.
Nessa complexidade que existe é tudo tão simples:
Há uma coletividade unitária,
em que cada um é um todo e o todo é nenhum.
Lá vem a moça do algodão doce.
Mal sabe ela que faz parte de algo que muitas vezes não existe.
A criança no ônibus ao lado:
bochechas rosadas, boca sorridente,
muitos dentes, no colo de sua mãe,
contando feijões coloridos.
Contrasta com a que vejo após o ônibus arrancar:
bochechas encardidas, boca com poucos dentes,
sentada na calçada contando moedas escuras de 5 centavos.
Resta-me duas possibilidades:
Descer no próximo ponto e lutar contra isso
ou fechar a cortina, disfarçar e me perder no nada existencial 
que nos devora.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Devassos


Sinto falta de teu corpo,
De teus cabelos enroscados em meus dedos...
De teus lábios tocando os meus,
De tuas mordidas em meu corpo...
Desejo ter de novo tua cintura entre minhas mãos,
O calor de tua boca pelo meu corpo...
Lembro das tuas costas tocando meu peito...
De teu gemido, junto ao meu.
Como um mantra recitado ao tom do prazer.
Nossas carícias, provocações, sensações...
Tesão, língua, gemido, prazer... Cama desfeita.
Ritmo, compasso, canção...
Tesão, furor, suor, prazer... Lençóis desarrumados.
Lembranças, saudade e excitação...
Toque... Olho no olho e a pergunta:
Tás bem?
Tô... E tu?


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Déjà’vu



Sei que quero coisas simples:
Um abraço da Vênus de Milo,
guardar tudo de volta na caixa de Pandora
e ter você comigo.
Vivo numa pobreza sentimental,
não tenho alguém para não ter,
não tenho inspiração para sofrer...
Tenho a impressão de que situações se repetem,
quase que de forma infinita,
de que vivo num Déjà’vu helicoidal,
preto e branco,
no qual o medo que tenho
é fruto da coragem que não me falta.
Tornamo-nos apenas números,
e mesmo assim perdemos o propósito,
pois, ninguém mais quer contar...
Conversar, papear...
Contar, só se for o vil metal,
aquilo que produz mais valia,
tão somente pelo que ele faz,
sem interessar o que ele é...
Não me entenda mal...
Na verdade, não me entenda.
Nem eu consigo isso!
Na verdade não quero. 


sábado, 31 de maio de 2014

Janelas da alma


Pelo canto do teu olho vejo tua alegria,
Também vejo tua tristeza.
Pelo canto do teu olho vejo tua jovialidade,
Também vejo tua maturidade.
Pelo canto do teu olho vejo tua atenção,
Também vejo tua distração...
Ah... As janelas sempre nos traindo.
Mostram aquilo que não queremos ver
Ou aquilo que não queremos mostrar...
Não sei bem a quem devo, mas mesmo assim o faço:
Agradeço por não sofrer dessa cegueira
Que assola nosso tempo.
Tu me olhas, mas sou eu quem te vejo.


sábado, 24 de maio de 2014

Ménage à trois


Entorpeço-me de vinho e outras vezes de pensamento...
Gosto desse ménage à trois entre a Solidão, Vinho e eu.
Somos tão prazerosos e, ao mesmo tempo, tão odiosos...
Dizemos o que nem nós queremos ouvir.
Atestamos, com tinta, nossa luxúria e insanidade...
Justificamos, com o néctar de Baco, nossa personalidade:
Etílica, pseudo poética, perversa, descabida e imoral.
Todo entendimento se torna confusão...
Ora gargalhadas retumbantes, ora lágrimas soluçantes.
Considere tudo que eu disser, mas o que será determinante
é  conseguires entender o meu silêncio.
Mesmo amordaçado, ele brada enlouquecidamente
dentro de minha sanidade...
Dizendo que não quer mais ninguém a minha volta...
À espera que alguém o escute, mas não o dê ouvido.
Isso tudo se traduz numa frase:
A soma de nós três juntos é igual a minha solidão.


terça-feira, 20 de maio de 2014

Apenas respirando... Sobrevivendo.


Palavras malditas, benditas, nunca vistas.
Nunca lidas, só pensadas, Nunca escritas.
Mas no íntimo de nós dois foram ditas...
Só no íntimo de nós dois foram ditas.

Você se prende na ilusão de que tudo está escrito.
Sempre fiz a minha vida, o meu rito.
Muitas vezes no silêncio ou no grito.
Tanto na calmaria ou no agito.
  
Enquanto isso a insônia me assola.
Sem você do meu lado, parece que a vida não decola.
A saudade de ti, a minha esperança degola...
Na saudade de ti, a minha esperança cai, se esfola.

Você deve estar por aí, perdida.
Na neblina de uma noite estrelada, dessa vida.
Buscando uma liberdade, minha querida.
Que não é essa que tens tão pretendida.

Talvez seja esse o nosso terrível segredo.
De nós dois juntos, temos medo.
Certamente nem eu e nem você está entendendo.
Na verdade nenhum sabe direito o que está fazendo.
Apenas respirando... Sobrevivendo.






segunda-feira, 12 de maio de 2014

Janela embaçada



É noite.
Sentado no quarto.
Esperando o tempo passar...
Olho pela janela:
Parte dela está respingada,
A outra embaçada.
Chove na capital.
Chuva mansa, calma e serena...
Só pra ajudar a compor a imagem,
Que já tem a melancolia e a saudade esboçadas.
Eu sei, o ideal é não aprender a lidar com a solidão.
Mas o que posso fazer?
Já fizemos um dueto...
Já fui seu partner...
Já dividimos o nada...
Eu sei meus sinais são confusos...
Mas hoje não,
amanhã será mais fácil de alguém me ajudar...
Talvez amanhã eu já saiba o que é...
Ainda é noite...
Ainda estou sentado no quarto...
Ainda espero o tempo passar...
Olho pela janela.


sábado, 10 de maio de 2014

Foi quando você se foi.


                E quando eu morrer pra você, siga em frente. Não existe nada mais deprimente, que morrer na praia. Quando você virar a cara, acredite querido, vou estar no paraíso queimando por dentro, rindo a toa e celebrando cada momento longe de você. Embriagar-me-ei até entorpecer os sentidos, e não sobrar mais um pingo de lembrança sua.
            Vou dançar até minhas pernas não aguentarem mais de dor, e cair por sobre a multidão em polvorosa com o êxtase causado pelo torpor de ilícitas alegrias indisponíveis no mercado, percorrendo de mão em mão, até chegar no lago do nada e despencar no frio calor do vazio, sentir cada gota de gelo da sua incompreensão me cortar cada milímetro de alma. Agora não me lembro se fui feliz com ou sem você, a tristeza me parece mais conveniente quando penso em nós. Nossa, ”Nós”, como se isso tivesse existido um dia, pelo que me lembro só existiu um “eu” tentando ser “nós” e “tu” fugindo de “tudo”. Acreditei que um dia te faria feliz, pois só assim eu teria sido feliz, mas vejo a vã possibilidade de um vago sorriso de canto, meio sem graça querendo dizer alguma coisa...
É... é vão mesmo, e inútil, e infrutífero, e ridículo. Enfim, anulei-me em prol d’uma razão maior, alheia a minha vontade, querendo ser tudo que não fosse nada, mas você não quis. Mas você me usou para tapar o buraco de alma que faltava no seu coração impuro, e me fez acreditar que eu era feliz com você, e olha que você conseguiu. Por um pequeno instante, mas conseguiu. Mas nada do que tentasse, não vai chegar perto de tudo que busco, que me espera antes da passagem, que me fortalece. Não querido, não são palavras vazias, eu não vou morrer na praia como você, eu não sou assim, acredite. Ainda vamos ser muitos felizes longe um do outro, os nossos caminhos só se cruzaram por acaso, e foi por querer que eles se desfizeram, mas não tem problema, hoje eu entendo o porquê. Mas prefiro deixar enterrado, nosso segredo mais ordinário, mais sórdido, e mais nosso. Não se preocupe, ele vai morrer comigo, nem Deus há de saber de nós.
E se um dia a gente se encontrar nas esquinas de qualquer mulher da vida, façamos como dois estranhos: sorriremos alegres, não felizes, alegres, passaremos um pelo outro, e sem olhar para trás maldiremos um ao outro com todo sentimento que ainda resta. Talvez assim tenhamos um pouco de paz dentro de um pouco de barulho. Talvez eu ainda te ame, mas nem se coçe tanto, é uma remota possibilidade de fracasso futuro. Mesmo que quiséssemos, o seu querer não quereria o meu, são dois quereres querendo distancia. Queira só ser feliz, o resto é invenção de gente apaixonada.

Almando Storck Junior


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cegos


Vejo meias ¾, vejo coturnos desarmados.
Sapatos, sandálias, sapatilhas e rasteirinhas.
Vejo vários tipos de saias,
Inclusive as que não parecem saias.
Vejo alargadores, penas, brincos, argolas, piercing’s,
E sei que há alguns que não vejo.
Vejo decotes, alcinhas, mangas curtas e longas,
Canoas e um ombro só.
Eu vejo gurias, meninas, mulheres, minas.
piriguetes, trocinhos, vadias, santas,
Elas que são eles, Amélias: desconstruídas e impostas,
Vejo todas em sua liberdade de ser o que quiserem.
Mas a pessoa ao meu lado no ônibus, não consegue ver nada disso.
Ela só consegue enxergar uma sociedade perdida, sem valores.
Mais um cego entre tantos que se apoiam numa bengala imaginária: valores. 
Que só servem para vender imagens distorcidas e contorcidas da realidade em que eles apenas sobrevivem.
Mas nós vivemos, nós vivemos...