sábado, 21 de junho de 2014

CUIDADO: PALAVRAS!

Hoje elas doem, ferem e machucam.
Até sangrei por conta delas.
Amanhã quem sabe elas curam.
Mas hoje, marcaram até minhas pernas.
Vão cicatrizando bem devagar,
As palavras que me disseram.
Hoje vai doer até sessar,
Todas as feridas que me fizeram.

Querem me doutrinar com palavras,
Querem me destruir com morais,
Querem que eu faça suas ordens,
Querem me dominar, destruir e monopolizar.

Oi?! Eu disse.
Não está certo isso! Disseram-me.
Porque não? Eu disse.
Porque ninguém gostou! Disseram-me.

E foi assim que escrevi,
E foi assim que não entenderam.
Mas eu não vi, eu li.
E foi assim que me abominaram. 

AlmandoStorck Junior, Macapá-AP, 16 de Março de 2013 ás 15:27.



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Epitáfio



Por algumas vezes tenho a impressão
que, tão somente, sobrevivemos.
Num frenético e compulsivo
contar de segundos, minutos, horas, dias,
semanas, meses, anos...
À espera, muitas vezes,
de algo que não fazemos a menor idéia do que seja.
Por você tenho tentado,
cada vez mais, o meu melhor...
Mas tenho a impressão que não há nada além do nada.
Dói lutar por algo que já não sei mais o que é...
Em meio a tudo isso, sou um barco à vela vagante no oceano...
Saí da proteção de um farol e sinto que encontrei o que buscava:
O nada... Um imenso nada.
Eu não preciso ouvir a Adriana Partimpim pra lembrar-me de ti...
Tão pouco o Emicida cantando Sol de Giz de Cera...
Basta eu acordar, basta respirar.
Palavras explodem em minha mente.
Talvez fuga dessa realidade...
Talvez libertação dessa realidade...


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Me deixa ir



aqui não se fala, se cala
aqui não se vive, se trabalha,
aqui não se cria, se produz
aqui dentro não está batendo luz
aqui não se vive, se sobrevive
aqui não se cria, se copia
aqui não se fala, se reproduz
aqui dentro não está batendo luz
aqui não se ganha, se adquire
aqui não se chora, se lamenta
aqui não se raciocina, se decora
- cale-se, senão te boto pra fora!
Quero falar para sair,
se aqui já não posso rir,
expulsa e me deixa ir,
a francesa na hora de partir.



Fernando Cabelo

Poeta ácido, sarcástico, sem métrica e sem regra, faz parte dessa era. Sem cálices, diz o que pensa, sem notar a ofensa. Aceita críticas muito bem, se possível, as responde também. Observador, muitas vezes ilustra a dor, as vezes sem querer, outras, só cria por fazer. Escreve o que quer, leia quem quiser.


quarta-feira, 11 de junho de 2014

T4


As janelas que vejo são como luminárias,
aquelas que alguém teima em esquecer ligadas:
Iluminam quando não se quer mais claridade,
mas, com sua origem funcional, mostram o mundo lá fora...
Realidade que não se quer ver:
Garotos fazendo malabarismo, vendendo balas e corpos;
Meninas e meninos que se fazem mulheres,
ganhando alguns trocados e perdendo a dignidade;
As palavras fogem, os sentimentos explodem.
Na terra em que poucos se olham quase ninguém se vê.
Nessa terra de tantas diferenças, o normal é ser estranho.
Nessa complexidade que existe é tudo tão simples:
Há uma coletividade unitária,
em que cada um é um todo e o todo é nenhum.
Lá vem a moça do algodão doce.
Mal sabe ela que faz parte de algo que muitas vezes não existe.
A criança no ônibus ao lado:
bochechas rosadas, boca sorridente,
muitos dentes, no colo de sua mãe,
contando feijões coloridos.
Contrasta com a que vejo após o ônibus arrancar:
bochechas encardidas, boca com poucos dentes,
sentada na calçada contando moedas escuras de 5 centavos.
Resta-me duas possibilidades:
Descer no próximo ponto e lutar contra isso
ou fechar a cortina, disfarçar e me perder no nada existencial 
que nos devora.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Devassos


Sinto falta de teu corpo,
De teus cabelos enroscados em meus dedos...
De teus lábios tocando os meus,
De tuas mordidas em meu corpo...
Desejo ter de novo tua cintura entre minhas mãos,
O calor de tua boca pelo meu corpo...
Lembro das tuas costas tocando meu peito...
De teu gemido, junto ao meu.
Como um mantra recitado ao tom do prazer.
Nossas carícias, provocações, sensações...
Tesão, língua, gemido, prazer... Cama desfeita.
Ritmo, compasso, canção...
Tesão, furor, suor, prazer... Lençóis desarrumados.
Lembranças, saudade e excitação...
Toque... Olho no olho e a pergunta:
Tás bem?
Tô... E tu?


segunda-feira, 2 de junho de 2014

Déjà’vu



Sei que quero coisas simples:
Um abraço da Vênus de Milo,
guardar tudo de volta na caixa de Pandora
e ter você comigo.
Vivo numa pobreza sentimental,
não tenho alguém para não ter,
não tenho inspiração para sofrer...
Tenho a impressão de que situações se repetem,
quase que de forma infinita,
de que vivo num Déjà’vu helicoidal,
preto e branco,
no qual o medo que tenho
é fruto da coragem que não me falta.
Tornamo-nos apenas números,
e mesmo assim perdemos o propósito,
pois, ninguém mais quer contar...
Conversar, papear...
Contar, só se for o vil metal,
aquilo que produz mais valia,
tão somente pelo que ele faz,
sem interessar o que ele é...
Não me entenda mal...
Na verdade, não me entenda.
Nem eu consigo isso!
Na verdade não quero.