sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Castanhos

Será que ainda é o meu beijo que te visita durante o sono?

Que te inflama o corpo e acelera teu coração?

Do nada te faz sorrir e alegra teu momento?

Que te provoca fogo no olhar.

Ou será que ele se tornou o mesmo que é esquecido de comprar no mercado?

Que por acidente é lembrado e, instantaneamente, esquecido.

Tantas perguntas que não faço, pois, a resposta poderá ser um talvez...

Ou até mesmo fiquem ecoando até serem algo distorcido e que ninguém mais entende.

Tento te arrancar de meu peito, mas apenas faço um rasgo em mim

Já és parte do meu corpo, és minha primeira pele.

A tristeza preenche o vazio criado pela distância;

Tua distância aproxima de mim a saudade,

e a saudade é minha alma faminta...

Sim, apenas querendo saborear teu beijo, se deliciar com teu sorriso,

teu olhar e teu abraço. Saciar a fome que sinto de você.

Te confesso meus desatinos, dores e desejos...

Desejos que talvez não sejam só meus.

Apenas deixe que a água quente deslize pelos nossos corpos nus...

Que ela seja uma sensação a mais no desejo que se manifesta nesse instante...

Que tua pele arrepiada seja o sinal de que realmente estas aqui...

Que tuas unhas rasgando minhas costas sejam a minha recompensa...

Que possa me valer do sabonete para percorrer teu corpo...

Deslizando por tuas costas, tua cintura, tuas coxas...

Que a palavra pudor seja banida de nosso instante...

Que o beijo mordido seja nosso e apenas nosso e ao 

final dele, olhos bem abertos, fixos um no outro, 

tomados pelo fogo que despertamos no que há de 

mais primitivo dentro de nós naquele instante: o 

desejo.



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