quarta-feira, 15 de abril de 2020

Em Cacos...




O sino dobra... E eu desdobro nossos lençóis...
Bagunço as cobertas, teu cabelo e nossas vidas.
Ouves que te amo, sem que eu diga nada...
Apenas com o meu olhar.
Teu suspiro me responde, teu gemido me guia...
Inflama meu corpo.

Juntam-se Corpos e almas se confundem...
Juntam-se Almas e corpos se fundem.
Juntam-se Corpos e vidas se separam...
Juntam-se Vidas e Corpos se separam...

Despidos de todo pudor...
De todo o respeito que tentam nos impor...
Assim as coisas começam...
Assim as coisas terminam...
Assim destruímos o que criamos.

Espalhados em minha volta...
Dispersos, cortantes, confusos...
Sem forma definida...
Sem tamanho certo...

Eu descalço,
Tentando correr sobre eles...
Como se não pudessem me ferir...
Tentando ignorá-los.
Mas lá estão... Fazendo-me sangrar.

Finjo esquecer que fui eu mesmo que os fiz.
Eu e meu coração de pedra...
Eu e meu jeito de deixar as coisas...
Eu.

Assim eles estão...
Assim nós estamos...
Como o título desse texto.




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