quarta-feira, 29 de abril de 2020

Cestrum Nocturnum - Dama-da-Noite




Será que ela sabe que sua boca dizendo meu nome
E seus lindos cabelos molhados me tiram o fôlego?

Que a noite passada, ora ela alegrou meus sonhos,
Com seu rosto e do seu corpo...
Ora atormentou meu sono
Com a lembrança de que não está ao meu lado.

Às vezes, andando distraído pela rua,
Sou lançado à outra dimensão... Outro tempo.

De olhos fechados...
Tomado por um delírio febril, 
sinto o teu corpo, sinto tua pele,
o calor da tua mão sobre a minha
e um sussurro teu perguntando:
- Onde você esteve esse tempo todo?

Assustado, abro meus olhos...
Então percebo algo que já se tornou habitual...

Há muitas pessoas em minha volta...
Mas nenhuma é você.
Então sigo em frente...
Levando-te na lembrança e no coração...
Deixando-te um suspiro e um adeus...
Sendo assim...
Apenas eu.




quarta-feira, 22 de abril de 2020

Pretérito Mais que Perfeito




Ao conjugar o verbo Amar,

deixamos que o Pretérito Imperfeito determinasse o modo em que vivemos.

Na conjugação do verbo Viver,

misturamos o Passado com o Futuro.

Impusemos ao Sentir o modo Imperativo,

ordenando aquilo que não permite Ordem.

Mas não é a mesma coisa... Tão pouco o mesmo lugar.

Palavras disfarçadas pelo tempo que passou...

Borradas  pelas lágrimas de mágoa e tristeza... 

Na tentativa vã de esquecê-las, são entoadas como mantra.

Nosso Amor é uma mentira, que insistimos em repetir.

Nossas palavras já não convencem nem a nós mesmos... 

Quanto mais aos outros.

Lá fora, a chuva ...

Aqui dentro, o silêncio...

Quanta tolice.




quarta-feira, 15 de abril de 2020

Em Cacos...




O sino dobra... E eu desdobro nossos lençóis...
Bagunço as cobertas, teu cabelo e nossas vidas.
Ouves que te amo, sem que eu diga nada...
Apenas com o meu olhar.
Teu suspiro me responde, teu gemido me guia...
Inflama meu corpo.

Juntam-se Corpos e almas se confundem...
Juntam-se Almas e corpos se fundem.
Juntam-se Corpos e vidas se separam...
Juntam-se Vidas e Corpos se separam...

Despidos de todo pudor...
De todo o respeito que tentam nos impor...
Assim as coisas começam...
Assim as coisas terminam...
Assim destruímos o que criamos.

Espalhados em minha volta...
Dispersos, cortantes, confusos...
Sem forma definida...
Sem tamanho certo...

Eu descalço,
Tentando correr sobre eles...
Como se não pudessem me ferir...
Tentando ignorá-los.
Mas lá estão... Fazendo-me sangrar.

Finjo esquecer que fui eu mesmo que os fiz.
Eu e meu coração de pedra...
Eu e meu jeito de deixar as coisas...
Eu.

Assim eles estão...
Assim nós estamos...
Como o título desse texto.




sexta-feira, 10 de abril de 2020

Chegadas...



Quero ouvir o que vem de dentro do ti...
Não só as coisas que foram abandonadas pelo caminho...
Não só as marcas de mágoa e de tristeza...
Quero saber o que provoco dentro de ti.

Quero ouvir o bater do teu coração
Ao encostar minha cabeça em teu peito.
Quero ouvir teu coração acelerado
Quando lembras de mim.

Eu te digo coisas sem o som da minha voz...
Mas é teu coração que as escuta e se aquece.
Meus pensamentos atravessam distâncias...
Atravessam dias... Atravessam meses...

Nada os impede de chegar... Chegam onde já estive...
E onde estive eles permanecem...
E lá eles se perderam.
E lá eu te encontrei.