Vejo
as luzes do navio, não sei se é cedo ou tarde, ainda não dormi.
De
certo modo tenho ciúme dele, pelo fato de que ele tem um porto aonde chegar.
Olho
pra ele: claridade em meio à escuridão; presença no vazio; imponência na
simplicidade; Gigante que rasga o céu de Poseidon, mas que se obriga a ser
guiado por um simples rebocador.
Algo
me atormenta e não é a tormenta que se anuncia. Os clarões dos raios se
confundem com os lampejos de lembranças...
O
mar me parece doce, se comparado com o gosto das lágrimas que derramei... na
verdade, ainda derramo.
E
junto delas vem uma tormenta pior do que as do alto mar... a tempestade que um
coração inquieto provoca... e eu, um nau à deriva, tenho ciúmes de um barco, só
porque ele tem um porto para lhe fazer abrigo.
Um
porto que espera por barcos, por outros barcos talvez... não sei dizer.
Ainda
espero que venha a calmaria.
Rio Grande,19/12/2012

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