segunda-feira, 31 de março de 2014

A LENDA DA ORQUÍDEA



Em uma cidade chinesa existia uma jovem famosa chamada Hoan Lan, que divertia-se em fazer penar suas paixões aos seus numerosos adoradores. Por um sorriso, o jovem Kien Fu tinha cinzelado o ouro mais fino e trabalhado com infinita paciência as mais lindas peças de jade. A ingrata, após se adornar com todos os presentes do nobre apaixonado, riu-se dele e o desprezou. Kien Fu, desesperado, acabou com a própria vida atirando se ao Rio Vermelho. O pintor Nguyen Ba conseguiu obter cores desconhecidas para pintar o retrato de sua amada. Esta, porém, depois de ter exibido para a satisfação de sua vaidade a magnífica pintura, desprezou o artista que desapareceu para sempre no mistério das selvas. Mai Da, apaixonado também, quis patentear seu amor à jovem volúvel, inventando um perfume delicioso somente digno dos anjos. A ingrata perfumou-se e mandou pôr na rua o seu adorador que, nada mais aspirando na vida, se envenenou. Cung Le levou sua perseverança a incrustar nácar numa pulseira de ébano que foi recebida pela ingrata. O pobre endoideceu.
Mas o poderoso Deus das cinco flechas, Deus que a tudo via e tudo ordenava, julgou que era o momento de castigar tanta maldade, fazendo a jovem volúvel apaixonar-se pelo formoso Mun Cay. Desde então, Hoan Lan sonhava no seu leito de nácar e sedas bordadas com seu adorado, cujo nome esvoaçava sobre seus lábios de carmin como uma borboleta sobre a rosa. Ao despertar descia à piscina, banhava-se e adornava-se com suas jóias mais preciosas para ver passar seu querido Mun Cay, que apenas se dignava a levantar os olhos para ela. Nunca tinha considerado a formosa jovem, nem se interessado pela fama de beleza que tinha ardido à sua volta. Os dias iam passando, e Mun Cay não saía de sua indiferença cruel. Um dia, Hoan Lan decidiu sair-lhe ao encontro e declarar-lhe paixão. "Não me interessas, rapariga" - disse ele. "És como todas as outras. Para mim não vales nada. Se fosses como aquela que eu amo... Esta sim, é uma deusa. Tu, mísera Hoan Lan, com toda tua vaidade, não serves nem para atar-lhe as fitas das sandálias". E, com um sorriso desdenhoso, afastou-se. Em meio de seu desespero, Hoan Lan lembrou-se do Deus todo poderoso que vivia na montanha de Tan-Vien. Talvez ele pudesse lhe valer. Apesar da noite escura e chuvosa, a jovem dirigiu-se ao monte sagrado, onde residia sua última esperança. A entrada do templo subterrâneo era guardada por um terrível dragão. Suplicou-lhe a concessão de entrada e ao cabo de muitos pedidos conseguiu penetrar num extenso corredor, por entre serpentes horríveis que lhe babujavam os pés nus. Quando chegou junto ao trono de ônix do poderoso gênio, prostrou-se e implorou: "Cura-me, que sofro horrorosamente. Amo Mun Cay que me despreza". "É justo o castigo" - respondeu o Deus - "por isso mesmo tens feito aos teus apaixonados" "Oh, Todo Poderoso, tem dó de mim. Concede o amor de meu querido Mun Cay. Sabes bem que não posso viver sem ele". "Vai-te daqui" - rugiu o gênio - "nada conseguirás. 0 castigo que pesa sobre ti, foi imposto pelo Kama que tudo sabe. É justo que sofras. Sai do meu templo". À saída, Hoan Lan encontrou-se com uma bruxa de pés de cabra. "Formosa jovem" - disse-Ihe a bruxa - "sei que és muito desgraçada. Queres vingar-se de Mun Cay? Vende-me a tua alma e juro-te que, embora Mun Cay não te ame, não amará a outra mulher". Hoan Lan voltou à sua casa, que lhe parecia um cárcere. Saía para os bosques a distrair sua pena, mas sempre em vão. Um dia, vendo ao longe seu adorado Mun Cay, correu para ele e, quando se preparava para abraçá-lo, o jovem foi transformado numa árvore de ébano. Neste momento apareceu a bruxa que, soltando uma gargalhada, lhe disse: "Desta maneira o teu amado não pode ser nunca de outra mulher". "Bruxa infame!" - exclamou chorando, a pobre Hoan Lan - "o que fizeste a meu adorado? Devolva-me ou mata-me". "Contratos são contratos" - replicou a bruxa, rindo satanicamente. "Cumpri o que prometi. MunCay, embora nunca te ame, não amará a outra mulher. Prometi e cumpri. A tua alma me pertence". Hoan Lan, abraçada ao pé da árvore, clamava desesperadamente a seu tronco imóvel. "Perdoa-me, Mun Cay. Tem para mim uma só palavra de amor, de indulgéncia e compaixão. Não vês como me arrasto aos seus pés, como te abraço, como sofro?" Mas a árvore nada respondia. A jovem ali ficou por muito tempo.
Uma manhã passou por ali um gênio que se compadeceu da sua dor. Acercando-se dela, pôs-Ihe um dedo na testa e disse:
"Mulher, procedeste muito mal. Foste volúvel até a crueldade e ingrata até a malvadez. Procedeste muito mal. Mas tua dor purificou a tua alma. Estás perdoada e vais deixar de sofrer. Antes que a bruxa venha buscar a tua alma, vou transformar-te numa flor. Ficarás sendo, no entanto, uma flor esquisita e requintada, que dé a impressão do que foi a tua vida maldosa. Quem vir as tuas pétalas facilmente adivinhará o que foi o teu espírito, caprichoso, volúvel, cruel, e a tua preocupaçâo constante pela elegância. Concedo-te um bem: não te separarás do bem que adoras e viverás da sua seiva, parasita do teu amado".

Assim falou o poderoso gênio. E, quando falava, a túnica rósea de Hoan Lan ia empalidecendo e tornando-se de uma delicada cor lilás. Os olhos da jovem brilharam como pontos de ouro e as suas carnes tomaram a tonalidade do nácar. Os seus formosos braços enrolaram-se na árvore na derradeira súplica.


E assim apareceu a primeira orquídea do mundo

sábado, 29 de março de 2014

Ainda não...



É estranha a sensação que sinto, pois, alguém que me era tão próxima, hoje me causa estranheza.
Sua presença não tem mais o sabor que tinha, seu perfume se tornou um odor fétido, o qual me causa repulsa. Agora percebo ser esse o preçoo qual ela me dizia que  pagaria um dia. Chegou, sorriu e me abraçou com a mesma falsidade de sempre, contudo eu não sou o mesmo companheiro que junto dela, da Lua e do Sereno, fazia como Pã: tumultuava o andar dos viajantes. Nós desfazíamos o trabalho realizado por Morfeu: adormecer aos justos.
E ela viu em mim outra pessoa. Seu beijo já não é mais doce, deixa um amargo que permanece, não por minha vontade, mas pelo direito que lhe é devido. Este é o valor por ela cobrado. Seu abraço, antes quente, lembrava as ninfas a correrem junto a Zeus num flerte total de um Deus e os mortais. Não é mais assim, se tornou frio, como o vento Minuano que sopra no rosto de Brau Nunes, nos contos gauchescos. E ela percebeu que eu senti a diferença.
Fez-me a promessa do consolo, que em seus braços encontraria o repouso e o descanso dos velhos tempos. Não sou o mesmo.
Disse-lhe, que dela só queria a companhia de sua irmã, a Saudade. Mas não por muito tempo. Ela a quem tanto repudiei, era a única que podia me livrar dos braços de sua fraterna. É interessante, pois uma não permanece na presença da outra. Se a Saudade se faz presente é por que sentimos a falta de alguém e ao mesmo tempo essa falta é a certeza da presença desse alguém. Se me permite um pequeno devaneio, antes a maior presença que eu tinha era exatamente a ausência de alguém que nem sabia se realmente existia e hoje não é mais assim, pois vejo com grande alegria, que posso estar errado quanto a isso. A Solidão é a total inexistência de alguém, a não ser ela e sua melancólica permanência. Sinto ao mesmo tempo pesar e alegria em ser a Saudade quem está a me consolar. Pesar por não ter quem eu quero ao meu lado e alegria na esperança da presença, dela, no futuro. Aliás, já ia me esquecendo que junto a Saudade vem a Esperança, pronta a fortalecer o espírito já tão castigado.
Saí, na verdade fugi, na tentativa de esquecer o meu tormento, mas percebi que não depende só de mim, a decisão que tomei já é fato, contudo a decisão que mais espero não cabe a mim, mas vai influenciar as outras decisões que terei de tomar. Nesse momento, ao escrever essas palavras, o Medo invade meu quarto, pois percebo ao seu lado a Incerteza, com seu olhar e silêncio profundo, no qual meus Pensamentos e Temores bradam de forma aterrorizante.
Mas permaneço na espera, não sei por quanto tempo... Mas permaneço. Agora a angustia sussurra em meu ouvido que hoje é apenas o primeiro dia, será que vou ressuscitar no terceiro? Não sei.
Apenas espero ouvir a Voz de um Anjo me dizendo com um sorriso, aquele, no rosto: Eu sou sua. Já não sei mais se ele bate ou apanha... Sei que é meu o coração. Mas ele ainda não pode bater em meu peito... Ainda não.


Jaguarão, 05/2010


sexta-feira, 28 de março de 2014

Morias Engomion (Μωρίας Εγκώμιον) em grego / Stultitiae Laus latim




Nem eu sei quem sou, se houver na face da terra alguém capaz de dizer, o faça com coragem e sem medo do que possam pensar. Só peço não te omitas! Pois o silêncio, muitas vezes, é sustento e outras se torna queda. E se for pra cair que seja de tanto dar risada! E assim como a LOUCURA desafia a todos os que, assombrados pela sua nudez, ficam perplexos com a felicidade dos outros que se despem das vaidades em busca da Felicidade. Assim sou eu hoje, aquilo que aos olhos burgueses é sem valor, em minha vida é estrela e farol de meu viver. O amargo sabor das dificuldades que tempera com força as vitorias. E não se esqueçam que a felicidade não é um elefante branco caindo do céu, são as pequenas coisas que, na maioria das vezes, estão ao nosso lado .
Este coração já foi pedra, hoje é carne. Já não habita mais meu peito! Esta no espaço? Esta no cyber espaço?  Não... está nas tuas mãos. O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração! O coração que leva o coração!

Azambuja. J (Jaguarão, 9 de janeiro de 2010, pós 02:30)


quinta-feira, 27 de março de 2014

Calmaria...





Vejo as luzes do navio, não sei se é cedo ou tarde, ainda não dormi.
De certo modo tenho ciúme dele, pelo fato de que ele tem um porto aonde chegar.
Olho pra ele: claridade em meio à escuridão; presença no vazio; imponência na simplicidade; Gigante que rasga o céu de Poseidon, mas que se obriga a ser guiado por um simples rebocador.
Algo me atormenta e não é a tormenta que se anuncia. Os clarões dos raios se confundem com os lampejos de lembranças...
O mar me parece doce, se comparado com o gosto das lágrimas que derramei... na verdade, ainda derramo.
E junto delas vem uma tormenta pior do que as do alto mar... a tempestade que um coração inquieto provoca... e eu, um nau à deriva, tenho ciúmes de um barco, só porque ele tem um porto para lhe fazer abrigo.
Um porto que espera por barcos, por outros barcos talvez... não sei dizer.
Ainda espero que venha a calmaria.

Rio Grande,19/12/2012



               

terça-feira, 25 de março de 2014

Talvez...



Talvez eu entenda o quanto eu lutei em vão...
Talvez agora ela entenda o quanto eu lutei... E não foi em vão.
Talvez escute meu coração, que já não bate... Só apanha.
Talvez agora ela perceba que tem, em suas mãos, o meu coração.
Talvez eu entenda que entre o céu e a terra há um abismo.
Talvez agora eu escute a sua voz, de anjo, me dizendo: sou tua.
Talvez a angustia que sussurra em meu ouvido, dizendo que hoje é apenas um instante do primeiro dia... Se vá.
Talvez agora ela saiba que vou ressuscitar no terceiro dia, por causa dela.
Talvez seja nesse instante.
Talvez agora nunca seja.
Talvez eu seja só tormento.
Talvez agora ela seja repouso e o descanso.
Talvez as gêmeas, Solidão e Saudade, subjuguem-me.
Talvez agora ela faça a alegria invadir o lugar das gêmeas.
Talvez  Pã volte a rondar minhas noites.
Talvez agora ela faça com que Hypnos não sinta mais o calor de minhas lágrimas.
Talvez agora Thánatos de fim a isso tudo.
Talvez agora ela consiga reconciliar-me com Morfeu.
Talvez agora eu sinta o Tártaro.
Talvez agora ela me faça ver Urano.
Talvez agora me afaste de Ícelo e Fantasia.
Não sei.
Mas permaneço na espera, não sei por quanto tempo... Mas permaneço.
Talvez...



Rio Grande, 06 de janeiro de 2013.

domingo, 23 de março de 2014

O Anel de Tucum


Muita gente (alunos, colegas e até familiares) me pergunta o que significa a "grossa argola" negra que carrego no anular da mão direita. Bom, imaginando que mão e dedo não interferem no significado do anel de tucum (esse é o nome da tal "argola"), costumo responder que se trata de minha opção pelas lutas populares, pelas classes subalternas. Trata-se, pois, de uma aliança popular, de um pacto de honra e determinação por fazer tudo que estiver ao meu alcance, como indivíduo e como ser social, para levar adiante a reivindicação de direitos e a esperança por um mundo realmente humano e fraterno. Na explicação que publico abaixo - encontrada sem autoria nas venturosas páginas da rede mundial de computadores e sensivelmente editada por mim - está a origem histórica e religiosa dos grandes pactos, das grandes alianças... E também alguns emblemas para refletir sobre a força e a importância do anel de tucum , que carrego no dedo e, principlamente, no coração, na ação cotidiana apaixonada...
Eram diversos e variados os rituais para celebrar uma aliança. Os mais simples eram: apertar a mão um do outro, dar um presente, trocar de veste ou de armas. Os mais profundos eram: beber ou misturar o sangue um ao outro, ou imergir a mão numa bacia de sangue; às vezes cortavam-se animais sacrificados e passava-se entre eles (cf Gen 15-17; Jer 38,18). O sentido desse gesto é que os aliados aceitavam a sorte de tais animais, caso quebrassem a aliança ou não cumprissem sua obrigações. Daí o papel importante desempenhado pela aliança tanto na vida privada quanto na vida pública entre os povos que viviam em organização tribal. Conforme a tradição bíblica, Deus celebrou várias alianças com seu povo ao longo da história, culminando na pessoa de Jesus de Nazaré. Desde então os seus seguidores passaram a falar em antiga e nova aliança. Assim como a antiga aliança foi constituída pelo sangue dos animais sacrificados (Ex 24,8), a nova aliança foi constituida pelo sangue de Jesus Cristo (Heb 9,11-20;10,1-18). No rastro dessa tradição, renasce o simbolismo da Aliança no Anel de Tucum, extraído de uma palmeira da Amazônia, cheia de espinhos, o símbolo do compromisso e da aliança com as causas dos oprimidos, excluídos e marginalizados - e sua lutas por libertação.

Foi na década de 70 que o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) adotou e divulgou o Anel de Tucum, hoje usado no mundo inteiro por quem assume a luta pelas causas populares, misturando-se com a sorte dos pobres da terra.
Esse símbolo foi bem escolhido, pois assim como é penoso fazer o anel de tucum, também é árdua a luta por dignidade, vida, esperança e paz.
O cantor e compositor Rubinho do Vale possui uma belíssima canção que retrata muitíssimo bem o sentido da aliança expressa pelo anel de tucum. Vejamos a letra de "Canção da Esperança":

A canção da esperança que vou anunciar

Vem como a luz do dia
Vem trazendo a aliança do céu com a terra e o mar
Tudo será harmonia
São notas musicais que o silêncio bonito traduz
Sentimento de paz vem de tempo infinito de luz
Toda a humanidade vai ver que a bondade
Na verdade é um grande dom
Esse tempo novo vai encantar o povo
Na certa quem viver verá que é bom
A canção da esperança que venho anunciar
Na linda luz desse dia
É o caminho da bonança bom pra gente caminhar
No brilho da harmonia
Com amor a justiça e a paz se abraçarão
A felicidade da fraternidade é união
Para ter clareza de toda essa beleza
É preciso abrir o coração
Nessa nova era de nova primavera
O meu canto é uma celebração

http://travessia21.blogspot.com.br/2006/10/o-anel-de-tucum.html

sábado, 22 de março de 2014

O Vôo da Fênix

A Fénix, o mais belo de todos os animais fabulosos, simbolizava a esperança e a continüidade da vida após a morte. Revestida de penas vermelhas e douradas, as cores do Sol nascente, possuía uma voz melodiosa que se tornava triste quando a morte se aproximava. A impressão que a sua beleza e tristeza causavam em outros animais, chegava a provocar a morte deles. Segundo a lenda, apenas uma Fénix podia viver de cada vez. Hesíodo, poeta grego do século VIII a. C., afirmou que esta ave vivia nove vezes o tempo de existência do corvo, que tem uma longa vida. Outros cálculos mencionaram até 97 200 anos. Quando a ave sentia a morte aproximar-se, construía uma pira de ramos de árvore da canela, em cujas chamas morria queimada. Mas das cinzas erguia-se então uma nova Fênix, que colocava piedosamente os restos da sua progenitora num ovo de mirra e voava com eles à cidade egípcia de Heliópolis , onde os colocava no Altar do Sol. Dizia-se que estas cinzas tinham o poder de ressuscitar um morto. O devasso imperador romano Heliogábalo (204–222 d. C.) decidiu comer carne de Fênix, a fim de conseguir a imortalidade. Comeu uma ave-do-paraíso, que lhe foi enviada em vez de uma Fênix, mas foi assassinado pouco tempo depois. Actualmente os estudiosos crêem que a lenda surgiu no Oriente e foi adaptada pelos sacerdotes do Sol de Heliópolis como uma alegoria da morte e renascimento diários do astro-rei. Tal como todos os grandes mitos gregos, desperta consonâncias no mais íntimo do homem. Na arte cristã, a Fênix renascida tornou-se um símbolo popular da ressurreição de Cristo. Curiosamente, o seu nome pode dever-se a um equívoco de Heródoto, historiador grego do século V a. C. Na sua descrição da ave, ele pode tê-la erradamente designado por Fênix (phoenix), a palmeira (phoinix em grego) sobre a qual a ave era nessa época representada.

A crença na ave lendária que renasce das próprias cinzas existiu em vários povos da antiguidade como gregos, egípcios e chineses. Em todas as mitologias o significado é preservado: a perpetuação, a ressurreição, a esperança que nunca tem fim. Para os gregos a Fênix por vezes estava ligada ao deus Hermes e é representada em muitos templos antigos. Há um paralelo da Fênix com o Sol, que morre todos os dias no horizonte para renascer no dia seguinte, tornando-se o eterno símbolo da morte e do renascimento da natureza. Os egípcios a tinham por Benu e estava sempre relacionada a estrela Sothis, ou estrela de cinco pontas, estrela flamejante, que é pintada ao seu lado. Na China antiga a Fênix foi representada como uma ave maravilhosa e transformada em símbolo da felicidade, da virtude e da inteligência. Na sua plumagem, brilham cinco cores sagradas. No início da era Cristã esta ave fabulosa foi símbolo do renascimento e da ressurreição. Neste sentido, ela simboliza o Cristo ou o Iniciado, recebendo uma segunda vida, em troca daquela que sacrificou pela humanidade.