terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Lumen ad finem Decembris

 


Outra vez você vem e se faz presente na minha cama,

Ah... Sempre soube como tomar ela para si e,

Como dona de tudo que repousa sobre os lençóis,

Desperta a intimidade tão nossa.

Me acorda tocando meu rosto e sussurrando meu nome.

Não importa a hora, pois, a Madrugada sempre foi nosso tempo.

Sorrateira chega e rouba minha atenção,

faz com que esqueça aquela que tenho lembrado tanto.

Quando percebo tua presença, a Euforia toma conta de mim

Alegria semelhante a que o vigia sente ao ver o Sol vespertino.

Fita meus olhos, ora com Ternura, ora com Desejo.

Banhas meu corpo, minha Alma com tua Luz

O brilho das estrelas me entorpece

Mas é a luz da Lua que me traz Saciez.

 


Primeira do Plural

 


As palavras não te dizem mais nada

ou isso é privilégio apenas das que te digo?

Teus ouvidos não suportam o som da minha voz

ou apenas não aceitas o desejo que te domina ao me escutar,

mesmo ao longe...

Ou tudo isso não passa de uma alucinação febril,

que ultrapassa a medida de tudo que vivi até agora.

O rubor não toma mais conta de mim,

As palavras, que outrora fugiam,

Não conseguem mais se distanciar

do que pretendo dizer.

O pensamento que antes pairava solto,

como o balão perdido de alguma criança,

Mantém constância cartesiana, A mesma encontrada no eixo "X".

Fico preso a soma dos catetos e,

pretensiosamente, ignoro a existência da Hipotenusa.

Assim as coisas se tornaram ao te ver...

Eu te guardo nas palavras que nunca disse

E nos silêncio que não faço.

Esta boca, que ainda está molhada pelo teu beijo,

sussurra teu nome pelas ruas desertas...

Anseia em ter novamente teus lábios mais uma vez...

Talvez pela última vez,

Mas diferente do último beijo, pois, não sabíamos que

 o Futuro não seria mais conjugado por nossas bocas juntas...

Apenas o Pretérito seria recitado... Pretérito Imperfeito.

Mas não sei se isso é o suficiente


Ansiedade

 


A Saudade me falou de um novo Amor

E Eu tolo, cedi aos seus caprichos.

Abandonei o Vinho, parte de nosso triângulo Amoroso

Para colocar outra em seu lugar.

Ah Saudade, você sempre aprontando as suas...

Vinho, como fui ingrato.

Nosso Menage a trois se desfez para surgir outra coisa.

A Saudade, Eu e essa estranha que, até bem pouco tempo atrás, não sabia seu nome.

Ela chega, não pede nem licença e nem desculpas.

Me segue, às vezes me persegue e sempre me alcança.

Chega, entra e se faz dona.

Revira tudo, faz chacota do estado que deixa as coisas ao seu redor.

Ri com escárnio, sem pudor e sem culpa.

Tudo que penso ser meu, Ela toma posse.

Pensamento e sentimentos são invadidos pela sua presença.

Prometeu preencher o espaço que a saudade tem em minha Vida

E acreditei, como fui tolo, pois, falavas o que queria ouvir.

Hoje sei teu nome e a forma como te insinuas para mim.

Lutamos até que a exaustão ou as lágrimas sejam nosso epílogo.

Mas uma coisa é certa: A Vitória nunca lhe sorriu, apenas a Derrota.

Sigo atento e resiliente às suas investidas.

E assim será.