Procurei por nós em minhas lembranças.
Acabo encontrando outro casal: Solidão e
Silêncio.
Então escutei um sussurro...
Era o Silêncio. Dizendo coisas que eu não
queria ouvir...
De mãos dadas, andando distraídos... Não me
viram...
Não ainda. Mas eu os vi.
Busco passar escondido em meio à multidão
que nos rodeia...
Enquanto caminho apressado, trago à tona o
passado.
Exorcizo meus medos e anseios...
Juntos, se perdem sonhos e desejos.
Presos nesse emaranhado de sentimentos
soltos.
Deformados, transformados, alterados,
usurpados...
Minto pra mim mesmo, repetindo como um
mantra:
Já não penso mais em nós. Já não penso mais
em nós.
Já não penso mais em nós... Já não penso
mais em nós?
Na verdade, não sei se em algum momento
houve um nós.
Então escutei mais um sussurro...
Disfarço distração, mas já é tarde.
Tenho a impressão de que ouviu meus pensamentos.
Era a Solidão.
Sua voz inebriante, carregada de malícia e desdém...
Com um sorriso cínico, emoldurado por lábios
vermelhos vivos.
Me viu. Me reconheceu. Caminhou em minha
direção.
Tudo em nossa volta some...
Tua mão em meu rosto... Teus lábios nos
meus...
Perco o ar, o rumo e a sensatez.
Perco a decência e o pudor...
O desejo inflama nosso falso momento...
Sim, falso momento.
Pois hoje sei que não passou de um simples
devaneio...
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