terça-feira, 4 de maio de 2021

Cama, Mesa e Banho

  

Hoje caminhava pela rua, distraído...

Do nada um sorriso toma conta do meu rosto...

Sorriso bobo... Lembrei de você...

Lembrança de como éramos cama, mesa e banho.

 

De como não respeitávamos esses lugares?

Bastava um olhar para que, Indiferentes a quem estivesse à nossa volta...

Independente do  lugar que estivéssemos,

O banho era o momento mais intenso e mais simples que tínhamos.

 

Lá a vergonha de nossos corpos era lavada...

Quantas gargalhadas retumbando pelo box...

Quantas lágrimas disfarçadas pelo chuveiro...

O medo por nossos corpos imperfeitos dava lugar aos carinhos e atenção...

 

Shampoo na raiz... Olha esse penteado...

Condicionador nas pontas... Nunca mais esqueci...

Assim como também não esqueci do som da tua voz cantando em inglês...

O teu inglês... Nem mesmo tu sabias o que estava cantando...

 

Quantas alegrias contamos debaixo do chuveiro...

Quantas lágrimas se misturaram com a água em nossos rostos...

Quantas toalhas perdidas pelo chão...

Quantas histórias ficaram, mas você não ficou.

 

Ficou esse nosso sorriso bobo...

Sim. Nosso sorriso...

Pois você também vai sorrir ao ler esse texto...

Da mesma forma que estou sorrindo.

 

 

 

 


sexta-feira, 9 de abril de 2021

Canção em Copo de Requeijão

 

Abro os olhos

Respiro fundo e sinto teu perfume.

A cama velha está tomada por ele.

Será que realmente abri os olhos?

Sonho... Desejo...

Um ou o outro...

Na verdade, os dois.

Deixo que essa sensação tome conta do meu corpo...

Do mesmo modo que deixamos o desejo tomar as rédeas de nossos corpos.

Teu perfume me confunde, tira o tino da realidade...

Alimenta a saudade e o desejo.

Roubei a canção do artista e suspirei minha saudade nela...

Já não bastava o perfume, agora a música me lembra dessa moça.

O perfume, a canção, o fruto de Baco que também é Canção...

Tudo isso num copo de requeijão... Na verdade dois:

o meu e o teu... Talvez o nosso... Quem dera o nosso.

Espero que aconteça de novo, assim como o artista oferece o Bis a platéia...

O perfume, o vinho, o abraço, o beijo...

Que o Bis não fique apenas na caixa, mas em nossas vidas.

O perfume, a canção, o fruto de Baco que também é Canção...

O perfume, o vinho, o abraço, o beijo...

Quem sabe segurar tua mão quando tiver o raio e o trovão...

E isso que nem falei dos teus olhos rasgados, anunciando teu sorriso.

Tudo isso com o Canção em Copo de Requeijão.

 

 


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Kama Sutra



Tenho sede do suor de teu corpo...

Anseio em perder meus olhos em tuas coxas.

De sentir teus pés em minhas costas...

De perceber o arrepio de tua pele.

Tua respiração ofegante...

Teu grito mudo...

Teu sorriso em meio a um gemido...

 

De mesmo já tendo mapeado tuas costas,

Medi-las do alto de tua nuca ao fim.

Minha destra o faz com habilidade.

Habilidade essa alcançada pela intimidade que se repete entre nós.

E a canhota, inquieta e voraz, demonstra a satisfação de nosso ritmo.

Minha palma sente todo teu calor.

 

Lembro de tuas pernas em meu peito...

Cruzadas como nossos caminhos, como nossos desejos.

Mão dadas, apertadas, demonstrando intensidade e tesão.

Já não se sabe mais onde um começa e o outro termina.

Desejo e calor...

 

Cama totalmente desfeita.

Lembranças acesas...

Desejos despertos...

A espera de que, juntos, palavras se tornem atos...

Para assim matar minha sede...

Para assim matar nosso desejo. 

Devaneio

 


Procurei por nós em minhas lembranças.

Acabo encontrando outro casal: Solidão e Silêncio.

Então escutei um sussurro...

Era o Silêncio. Dizendo coisas que eu não queria ouvir...

De mãos dadas, andando distraídos... Não me viram...

Não ainda. Mas eu os vi.

 

Busco passar escondido em meio à multidão que nos rodeia...

Enquanto caminho apressado, trago à tona o passado.

Exorcizo meus medos e anseios...

Juntos, se perdem sonhos e desejos.

Presos nesse emaranhado de sentimentos soltos.

Deformados, transformados, alterados, usurpados...

 

Minto pra mim mesmo, repetindo como um mantra:

Já não penso mais em nós. Já não penso mais em nós.

Já não penso mais em nós... Já não penso mais em nós?

Na verdade, não sei se em algum momento houve um nós.

Então escutei mais um sussurro...

Disfarço distração, mas já é tarde.

Tenho a impressão de que ouviu meus pensamentos.

Era a Solidão.

 

Sua voz inebriante, carregada de malícia e desdém...

Com um sorriso cínico, emoldurado por lábios vermelhos vivos.

Me viu. Me reconheceu. Caminhou em minha direção.

Tudo em nossa volta some...

Tua mão em meu rosto... Teus lábios nos meus...

Perco o ar, o rumo e a sensatez.

Perco a decência e o pudor...

O desejo inflama nosso falso momento...

Sim, falso momento.

Pois hoje sei que não passou de um simples devaneio...