quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Alma

Escuto os berros de uma Fera. Meio bicho, meio homem. 
Tamanho o caos que ronda meu Ser, não consegui ver que a Fera sou eu mesmo... 
Perdido, sem saber como cheguei até aqui. 
Quem dera fosse só um pesadelo: Sem saber como iniciou e sem a preocupação com o que virá após seu fim... 
Mas não é assim.
Hoje me percebo em um labirinto... 
Lugar no qual eu mesmo me aprisionei, fui meu próprio algoz.
Escuto o sussurro dela, a Insanidade fazendo par com a Solidão. 
As duas de mãos dadas à procura da loucura, para que juntas como um trio, me façam cativo nesse labirinto... 
Esse vazio é completamente preenchido, na verdade, transborda o nada...
Ultrapassa os limites daquilo que não tem fronteira.
Eu leio o que falam, escuto o que escrevem, penso no que não é dito e o que é falado não passa do mais profundo silêncio. 
O que trago comigo é um querer não querer. 
E nem isso consigo mais... Minha Alma tem sede, minha Alma tem fome.

domingo, 20 de setembro de 2015

Lunática



Você é como a Lua, um lado oculto e carregado de encantadores mistérios.

Fases que se sobrepõem e determinam nossas vidas. 

À noite, tua ausência brada sentimentos e sensações.

Carregas minha admiração e desejo, mas isso não é preocupação tua.

Simplesmente existes, provocando o mais íntimo do meu Ser.

Teu receio é o algoz que te faz escrava da tristeza.

Teu medo é o grilhão ao qual te acorrentasse.

Tua boca entoa o distanciamento, tal qual um mantra, à espera de que lhe deem ouvidos.

Mas teu cerne, tua alma, anseia por alguém que não considere tua boca...

Apenas o sabor de teus lábios.

Ah teus lábios... 

Desejo febril. Distantes como a Lua.

E antes que o Sol venha e aumente meu desejo e minha saudade por ti, 

findo esse texto retratando como me sinto: 

Minha mente se perde nesse labirinto que eu mesmo criei e que, inutilmente, tento fugir... 

Palavras explodem em minha mente. 

Intensas e ferozes, nada fora do normal.

sábado, 12 de setembro de 2015

Santo Lugar

O Dente-de-Leão, sempre ao sabor do vento, sem a preocupação de onde nascer, encontrou paz na Terra do Mar... Lá viu uma flor de açucena florescer. E isto aconteceu nas mãos dele.
Ela já havia se esquecido de como era florir. Bela que se fez oculta, se resignou nas sombras da tristeza e da melancolia, pelo medo que em outros tempos lhe fez tormento. Ele foi o afortunado a presenciar essa beleza. O Cais, a Corveta e a cidade ao Norte são suas testemunhas nisso. Tudo isso num Santo lugar...
Suas mãos dadas, olhares de encontro um ao outro e o seu silêncio produziram algo que não sabiam como explicar... Apenas sentir. Silêncio este cortado por risos e confissões; Mates e suspiros; Músicas e beijos.
Ah o teu beijo morena, lembra o calor do Sol das manhãs de Primavera: Intenso e Suave. Aquece o mais íntimo do meu ser. Que eu possa ter, outra vez, teus lábios juntos aos meus. A força do teu toque desfez uma barreira que talvez nem os Deuses possam ter pensado em ultrapassar... Apenas teu toque o conseguiu. E que, a cada dia que isto acontecer, possa repetir essa prece até que se torne um mantra, entoado ao ritmo da respiração que temos juntos: Que seja o ar que nos dá vida. Três noites se passaram e Três Luas vão se encarregar de por fim a todos os medos.

Eu te tornei palavra, outrora dita... Agora escrita... Mas antes de tudo sentida. A sorte está plantada, que nossa colheita seja farta. 


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Carnal

Não tente me convencer de que o amor projetou minha existência... 
De que, tal acontece nas lindas estórias de amor, sou fruto do amor... 
Não tente justificar teus anseios dessa forma. 
Você espera de mim sentimentos? 
Esqueceu-se de que sou fruto do desejo? 
Concebido através da soma da libido e da volúpia... 
Olhares, desejos e tesão provocaram minha concepção... 
Excitação, suor e gemidos me antecederam... 
Ah, não te vistas da capa da inocência! 
A única paga que posso dar é exatamente aquilo que herdei... 
Por isso o som do meu sussurro, provoca o mais íntimo do seu ser. 
Minha mão deslizando na tua pele, compondo o mapa da tua silhueta... 
O encontro de nossos corpos, calor que consome a Fênix... 
E assim, do mesmo modo que a ave mitológica, temos nossa existência renovada. 
Não sou celestial, apenas carnal.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Além de uma linha do tempo...

Não importa se a gente combina ou descombina, o que vale é a Serotonina que invade tua mente com a ideia do meu beijo. O que o som da minha voz provoca em teu corpo. O desejo que te consome ao imaginar o nosso encontro. Do pecado fui concebido e não me privo desse prazer, sou desonesto sim, mas só comigo mesmo. Você me faz perguntas esperando alguma resposta, mas não percebeu que já respondi antes mesmo de você me perguntar algo... Talvez seja esse o meu erro.
Você deve estar presa na neblina de uma noite estrelada, buscando uma liberdade que não é essa. Tanta gente se prende a pretensão de que tudo está escrito, enquanto isso, a insônia me transporta pra perto de você. Eu sou lonjuras, não sei viver perto do que não quero... Mas adoro estar perto do que não entendo. Isto se tornou uma marca em mim, algo que transcende o plano em que existimos. Por algumas vezes parece que tão somente sobrevivemos, num frenético e compulsivo contar de segundos, horas, dias, meses, anos... À espera de algo que não fazemos a menor ideia do que seja.
Deixo esse recado a quem nunca virá até aqui... Eu parti mesmo sabendo que, nós dois juntos, nunca estivemos... Mas pensamos na existência de um nós. Palavras explodem em minha mente tempestuosa... Talvez fuga dessa realidade, talvez libertação dessa realidade. Talvez seja esse o meu erro. Talvez esse seja o nosso erro.