quarta-feira, 13 de maio de 2020

Esquizo


Das promessas de que fizemos juntos...
De que faríamos nossa alegria.
Num instante a lembrança da tua boca dizendo bom dia...
No outro ela se fazia dona de meu corpo;
Num instante tuas mãos me empurram, para que assim acordasse...
No outro rasgavam minhas costas, num calor mais que febril;
Num instante era aconchegante como uma manhã de primavera...
No outro quente como uma noite de verão;
Era intrigante e apaixonante tê-las, as duas...
Ao dispor de nosso intenso momento.
Ao pudor dávamos apenas o desrespeito.
Aquele que provém dos que nada temem, pois tem um ao outro.
Uma sabia da existência da outra...
O ciúme destruía seu corpo frágil...
Fazia com que uma apagasse a lembrança da outra...
E a mim restava o esquecimento dos momentos que juntos passávamos.
Fui teu remédio e teu veneno...
Até que deixei de ser algo a vocês duas.
Vivemos além à beira do precipício, vivemos à linha da borda.
Tínhamos todas as qualidades e todos os defeitos;
Todos os anjos e todos os demônios;
Todas as coragens e todos os medos;
Tudo tivemos e tudo perdemos.
Tenho o coração trincado desde o dia que,
Numa mentira que nós sabíamos não ser a verdade,
Disse-te que o nosso engano teria de chegar ao fim...
E que a ti só caberia voltar ao lugar onde vocês já haviam vivido.
Peço aos céus que vocês tenham a Paz, pois a mim coube os despojos e as saudades.



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