terça-feira, 19 de agosto de 2014

Terminal 03


Tristeza e Alegria...
Partida e Chegada...
Desencontro e Encontro...
Lágrima e Sorriso.
Táxi e Ônibus...
Cobrador e Motorista...
Passageiro e Viajante...
Abano e Abraço.
Tristeza é Partida...
Alegria é Chegada...
Desencontro é Lágrima...
Encontro é Sorriso.
Táxi é Motorista...
Ônibus é Cobrador...
Passageiro é Abano...
Viajante é Abraço.
As palavras se combinam, se trocam e se confundem...
A Tristeza da Partida se transforma em Alegria...
As pessoas trocam de lugar, de função e de papel...
Parece uma canção, sim uma canção... Aquela da filha da Pequena Notável, da Pimentinha...
E entre soluços e sorrisos, silêncios e gritos, aqui estou eu:
Vendo o que muitos apenas olham. 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Errante


O muito que tenho
Torna-se nada...
O nada que tenho
Torna-se muito...
O tempo já não passa,
Não há passatempo...
Apenas a busca,
Uma busca insana
Pelo vil metal...
Assim como a areia
Esvai-se na ampulheta,
Assim sinto o tempo...
Assim sinto você...
Queria estar errado.
Mais do que nunca...
Queria estar errado.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Caricato


Amo-te tanto que me acorrentei a tua incerteza...
Cheguei ao ponto de me tornar uma caricatura de gente...
Sim, um arremedo...
Cheio de medo.
Um esboço muito mal feito. 
Como tal inacabado.
Tanto disse, falei, bradei, chorei, solucei... 
Não houve jeito.
Tanto fiz, desconstruí, construí, criei, inventei... 
Não houve jeito.
Fui sem jeito mesmo... 
Caí. Levantei. 
Caí... De novo, de nova...
Quando ralava meu joelho, acreditava que era o fim do mundo... 
Realmente eu não sabia o que era o mundo.
Assim ficamos uma caricatura, um esboço. 
Sem arte final... 
Na verdade sem arte... 
Só final.

Entre teus braços


Teu medo não é mais do que uma lembrança escrita e descrita...
Nossas vozes se encontram, muitas vezes, graças a Grambell...
As distâncias nos torturam...
As lonjuras nos consternam...
As saudades nos mutilam.
Mas tudo isso se desfaz, perde força quando nos reencontramos...
No encontro há o laço...
No reencontro há o relaço...
O relaço vira abraço...
Esse abraço não cabe no braço...
Não há espaço.
Nada o separa, nem o fio da lâmina de aço...
E pra terminar a rima, me dê outro abraço.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Glossário



Minhas palavras são como espadas.
Ora afiadas, que a tudo transpassam,
ora cegas, sem a capacidade de ferir ou cortar.
Elas são minhas defesas e meus ataques.
Meus pontos fortes e fracos.
Não confunda minhas palavras escritas com as ditas...
As escritas podem pertencer a muitas pessoas,
já as ditas só a quem eu as disser...
Eu não disse o que você escutou e você não escutou o que eu disse.
E quando digo isso, é escrito e falado...
Lido e sentido...
Lembrado e esquecido.
E no meu mundo chamado silêncio,
eu posso chorar sem medo de ter medo.
Preso a essa liberdade de ser o que nunca serei novamente,
o que você quis que eu fosse um dia:
Um outro qualquer ou qualquer outro.