sábado, 26 de novembro de 2016

Eu, Eu Mesmo e Irene

Este sou eu: Alguém que se acostumou a deixar as coisas pelo caminho.

Preso num emaranhado de fios soltos, carretéis e novelos dispersos.

Todos confusos pelo fato de que juntos, manipulados por minhas mãos,

Fazem parte de um tecer manchado de alegrias e mágoas. Sorrisos e lágrimas.

Cá estou perdido em meus pensamentos

Lonjuras que semeio e cultivo.

Delas me faço prisioneiro e ao mesmo tempo meu algoz.

Sou como um temporal,

Desses que acontece no fim de Agosto.

Muitas vezes se anuncia, mas se faz mansidão,

Outras se faz tormenta e a nada respeita.

Olho a minha volta e sou acompanhado de solitários.

Entre tantos rostos,

Muitos gostos e talvez alguns desgostos.

Pessoas, histórias, palavras.

Ditas, pensadas, caladas.

Olhares, lugares, paisagens.

Alguns são amores já outros apenas chantagens .

E qual a vantagem de perceber isso tudo e ser prisioneiro de si mesmo?

Até um outro dia ou uma outra vida.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Fim e Recomeço

Sim, ela se faz presente novamente. 
Trás consigo o Desatino e uma garrafa de Merlot. 
Pela primeira vez em minha vida o vejo tão próximo. 
Já ela, a Saudade, e o Merlot são companheiros de outrora. 
O Silêncio ensurdecedor e findado com o escárnio deles. 
Gargalhadas e desdém são disparados contra mim. 
Nada posso fazer, pois, a Razão faz companhia a eles. 
Percebo em minha boca, que muitas vezes foi sua, o amargo fel da distância. 
Antes era manchada pelo teu batom. 
Hoje entoa o murmúrio, emoldurado pelo sorriso da solidão. 
Reajo. 
Tento libertar minha alma. 
A fera que brada dentro de mim debate-se com violência e insanidade.
Na tentativa de fuga. 
Mas seu algoz não lhe permite tal feito. 
Ele a fita com frieza e desejo de posse. 
Ela lhe devolve o olhar carregado de ira e sede de vingança. 
Essa batalha é travada dentro de meu peito. 
Outra vez o Fim é o Recomeço.