Este sou eu: Alguém que se acostumou a deixar as coisas pelo caminho.
Preso num emaranhado de fios soltos, carretéis e novelos dispersos.
Todos confusos pelo fato de que juntos, manipulados por minhas mãos,
Fazem parte de um tecer manchado de alegrias e mágoas. Sorrisos e lágrimas.
Cá estou perdido em meus pensamentos
Lonjuras que semeio e cultivo.
Delas me faço prisioneiro e ao mesmo tempo meu algoz.
Sou como um temporal,
Desses que acontece no fim de Agosto.
Muitas vezes se anuncia, mas se faz mansidão,
Outras se faz tormenta e a nada respeita.
Olho a minha volta e sou acompanhado de solitários.
Entre tantos rostos,
Muitos gostos e talvez alguns desgostos.
Pessoas, histórias, palavras.
Ditas, pensadas, caladas.
Olhares, lugares, paisagens.
Alguns são amores já outros apenas chantagens .
E qual a vantagem de perceber isso tudo e ser prisioneiro de si mesmo?
Até um outro dia ou uma outra vida.
Sim, ela se faz presente novamente.
Trás consigo o Desatino e uma garrafa de Merlot.
Pela primeira vez em minha vida o vejo tão próximo.
Já ela, a Saudade, e o Merlot são companheiros de outrora.
O Silêncio ensurdecedor e findado com o escárnio deles.
Gargalhadas e desdém são disparados contra mim.
Nada posso fazer, pois, a Razão faz companhia a eles.
Percebo em minha boca, que muitas vezes foi sua, o amargo fel da distância.
Antes era manchada pelo teu batom.
Hoje entoa o murmúrio, emoldurado pelo sorriso da solidão.
Reajo.
Tento libertar minha alma.
A fera que brada dentro de mim debate-se com violência e insanidade.
Na tentativa de fuga.
Mas seu algoz não lhe permite tal feito.
Ele a fita com frieza e desejo de posse.
Ela lhe devolve o olhar carregado de ira e sede de vingança.
Essa batalha é travada dentro de meu peito.
Outra vez o Fim é o Recomeço.